Carta de um Religioso à Turma do “Não Tem Nada Não” — A Queda da Igreja

Garagem de Profetas

A queda da Igreja não acontece de uma vez. Ela começa sempre do mesmo modo: pela concessão.

Primeiro, aceita-se o paganismo. Árvore de Natal, peru, ceia, enfeites — tudo tratado como “besteirol inofensivo”. Afinal, dizem, é só cultura. É só tradição. É só um Natal.

No final do ano, aceita-se também a champanhe, o vinho social, a cerveja sem álcool. Nada demais — repetem.

No ano seguinte, os discursos já mudam. O que antes era exceção vira regra. O que era pecado passa a ser relativizado. O que escandalizava agora é normal.

Logo aparecem os amantes de pastores. Os divórcios dos fiéis se multiplicam. A pornografia começa a ser tolerada entre os jovens. Surgem pombas-giras disfarçadas de crente, vestidas como se fossem a um bordel, mas ocupando os bancos da igreja.

Os púlpitos se enchem de homens lascivos, beberrões, adúlteros. E então vem o próximo passo: “Deixem os crentes andarem como quiserem.”

Afinal — dizem eles — alguns pastores não têm moral para repreender ninguém.

Pintaram as paredes. Destruíram os símbolos. Jogaram fora milhares de anos de santidade em troca de ver a igreja cheia.

Cheia de quê? De crentes que passam o dia na esbórnia, ouvindo música mundana, xingando, brigando uns com os outros, andando seminus e chamando isso de liberdade cristã.

Mas tudo isso é sempre justificado do mesmo modo: “É só um Natal.”

E quando alguém se levanta para dizer que isso não é Igreja, a resposta vem pronta: você é exagerado, você é arrogante, você é religioso demais.

Na boca desse povo, eu sou o problema. Na mente da turma do “não tem nada não”, qualquer limite é fanatismo.

Confissão

Se ser religioso é não aceitar heresias desde a sua origem, então eu sou religioso.

Se ser religioso é não permitir que o pecado entre na minha casa, mesmo travestido de cultura ou tradição, então eu sou religioso.

Se ser religioso é não aceitar o fermento dos fariseus, então eu sou religioso.

Se ser religioso é não aceitar a bebida, a mentira e o engano, então eu sou religioso.

Se ser religioso é não pactuar com heresias, com paganismo e com dominações falsas, então eu sou religioso.

A Igreja

A Igreja não é eclética. A Igreja é separatista.

Ela é sal da terra e luz do mundo. E se o sal não incomoda, não presta para salvar: será pisado pelos homens.

Igreja é ekklēsía: reunião dos que foram tirados para fora. Não dos que se unem ao mundo, mas dos que se separam dele.

E se o preço dessa separação é ser mal visto, que seja. O mundo nos odeia porque odiou a Cristo primeiro.

Não estamos aqui para sermos aceitos pelo mundo, nem para nos unirmos a ele, mas para sermos rejeitados por amor a Cristo.

Posição Final

Por isso, eu não desejo Feliz Natal.

O nosso Natal é a transformação de uma nova criatura encarnada em Cristo Jesus.

Eu não enfeito minha casa com árvore de pinheiro, porque foi no madeiro que Cristo entregou a Sua vida.

Eu não coloco pisca-piscas, porque não estou dando sinais ao mundo, mas aguardando Aquele que é a Estrela da Manhã.

Eu não tenho o espírito do Natal. Eu tenho o Espírito Santo.

Portanto, fique com o seu Natal. Eu fico com o meu Príncipe.

Não vos conformeis com este mundo.

Noel Souza
Garagem de Profetas