RECONHECIMENTO

Para meu irmão, Taylon Albert.

Antes de mais nada, quero dar uma resposta aos críticos de plantão. Este reconhecimento público não é sobre ser “o maior” ou “melhor” que os outros, mas sim sobre reconhecer quem dá o seu melhor para a obra de Deus.

A muito tempo ouço críticos que nada entendem do Evangelho e observo pastores que, embora precisem de pregadores itinerantes, valorizam apenas o que vem de fora, mas não estendem a mão para ajudar as “pratas da casa”.

Parabenizo o trabalho do Portal Adoradores por valorizar e trazer reconhecimento a quem tanto faz pela obra, mas raramente recebe um elogio.

Nestes tempos de “sanguessugas espirituais”, Deus está levantando um povo que crê nos Seus profetas e prospera junto com eles.Meus parabéns, jovem Taylon!

Somente Deus sabe o quão difícil é para um jovem empenhar-se tanto no Reino. Ser o melhor não é sobre posição; é entregar a vida sem medida e sem reservas. Ser o melhor é dar o máximo dia após dia, sobrevivendo entre lutas, erros e acertos, para à noite estar nos púlpitos com a “cabeça do gigante” nas mãos.Você tem demonstrado ser essa pessoa.

Seja em igrejas grandes que oferecem recompensa ou nas pequenas, onde às vezes não ofertam nem o valor do transporte, você vai. Prega no frio ou no calor; não existe tempo ruim para você.

Ser pregador é isso: entregar o máximo sem esperar recompensa humana, equilibrando-se entre as críticas e os elogios. É saber ser como a “cidade edificada sobre o monte”, mas também saber se esconder no deserto no tempo certo.

Continue assim, vaso de Deus. Sua caminhada será longa e próspera nesta terra (se Jesus não voltar antes). Saiba que este troféu simbólico é apenas um pequeno reconhecimento humano, mas na Glória haverá um galardão sem medidas. Deus é contigo, e eu sigo aqui intercedendo por sua vida.

Vá em frente, rompa as barreiras desta geração, arraste multidões e voe alto. Seja feliz!Que Deus te abençoe e te guarde,De seu irmão, Noel Souza

PARA MINHA IRMÃ MARIA

Para minha irmã Maria José da Silva,
de seu irmão Noel

Ainda me lembro como se fosse agora. Meu pai me contava, depois de um dia de chuva forte, quando alguns tinham medo de ir trabalhar por causa dos trovões, sobre uma filha que ele teve — mulher de nascimento, mas, segundo ele, homem na coragem, na força e na forma de viver a vida.

Ele falava de Maria José da Silva, nascida na região de Itamira, na antiga Serra do Aporã. Ao nascer, era mais uma menina prometida ao cuidado do lar, criada para ser dona de casa, mãe de família, uma princesinha protegida. Mas o destino tinha outros planos.

Desde cedo, Maria descobriu o gosto pela agricultura e pela agropecuária. No trato com os animais, na montaria de cavalos bravos, no trabalho pesado da roça, no plantio e na colheita, ela se destacava. Carregava no sangue a genética do pai e as durezas da vida: a teimosia, a firmeza e a resistência.

Cresceu no meio dos irmãos, ajudando o pai, acordando ainda de madrugada para cuidar da casa, dos irmãos mais novos e da fazenda. Buscava água para o gado, limpava, colhia, tirava leite, enfrentava o sol forte, a chuva e o frio. Viajou quilômetros a cavalo para negociar e vender. Derrubava touros pelo chifre, fazia o que muitos homens não tinham coragem de fazer.

Com o tempo, tornou-se uma alegria tão grande para o pai que ele dizia sem hesitar:
“Essa menina deveria ter nascido homem, porque nem todos os homens fazem o que ela faz.”

A vida seguiu seu curso. Cada um tomou seu caminho. Ela cresceu, formou família, teve filhos e enfrentou lutas duras dentro do próprio lar. O casamento lhe trouxe dores, mas também a fortaleceu. Tornou-se mais firme, mais ríspida talvez, mas também maior.

Como mãe dedicada, lutou pelos filhos. Acordava cedo, limpava, lavava, passava, cozinhava, costurava de dia e de noite para que nada lhes faltasse. Trabalhou incansavelmente para que eles estudassem, crescessem e não dependessem de ninguém. Com muito sacrifício, criou praticamente todos sozinha.

E é a ti, minha irmã Maria, que dedico esta mensagem.

No meio de todas essas dores e batalhas, você me acolheu em sua casa. Alimentou-me, cuidou de mim, ensinou-me a vida, aconselhou-me e puxou meu pé para que eu estudasse. Nunca deixou faltar nada. Se hoje sou alguém com consciência moral, agradeço a Deus, ao nosso pai e a você, que sempre me deu conselhos sábios e direção física, material e espiritual.

Você me acolheu nos momentos de dificuldade, de perda e até quando você mesma enfrentava suas próprias pelejas — e isso nunca diminuiu seu cuidado comigo.

Louvo a Deus pela sua vida. Oro por ti. Agradeço por cada gesto de amor, cada conselho, cada momento em que deixou de cuidar de si para cuidar de mim. Meu pai tinha razão: nem todos os homens fazem o que você fez e faz.

Desejo que Deus te conceda um final de ano maravilhoso e um novo ano próspero, cheio de paz, alegria e amor.

E que nunca se apague a imagem daquela menina montada num cavalo borrachinha, rompendo as tempestades da vida e erguendo a bandeira da vitória.

Um beijo, minha velha.
Te amo.


MAIS QUE UM AMIGO


Ao meu irmão Leandro,

Lembro exatamente o momento da vida em que nos aproximamos. Você e eu, em plena adolescência — quer dizer, eu um pouco mais novo, e você com aquele cabelo de índio. Logo que te vi, você me convidou para brincar dentro da caixa da máquina de sua mãe. Achei que fosse um pique-esconde, mas na verdade era basquete.

Juro que nem sabia que brincadeira era aquela. Consistia em lançar a bola de tênis no caixote, no varal das cortinas, e quem mais acertasse vencia a disputa. Mas havia uma regra: antes, a bola precisava quicar na caixa da máquina, que ficava aos pés de sua mãe. Esse era o problema… ela, como sempre, estava costurando. Logo reclamou, e nós paramos. Ela disse:
Seu nego, não está vendo que estou trabalhando? E você também, magrelo!

Depois disso, você arrumou outra coisa para fazer. Saímos para caçar passarinho. Você matou três com uma pedra só — uma mania que você tinha de guardar sempre a mesma pedra.

Também me lembro das vezes em que você me ensinava a jogar bola, me incentivava a estudar, acreditava em mim. Recordo-me de você me emprestando suas roupas, cortando o meu cabelo no estilo Sulley Muntari, me fazendo sentir importante. Lembro das vezes em que saímos, passeamos, conhecemos outros lugares. Das vezes em que te acompanhei para você ir jogar bola, eu segurando sua chuteira com muito orgulho, gritando: Camisa 10!

Anos depois, quando meu pai morreu, nos sentamos no mesmo lugar, relembrando essa cena, com duas doses na mente, ouvindo Racionais e jogando videogame. Pensamos juntos:
Parece que foi ontem, mas já se passaram 18 anos.

Ali vi o seu sentimento de respeito pela nossa infância e senti que era verdadeiro. Hoje, já se vão mais 17 anos, e ainda me lembro daquela cena: a bola descascada pelo tempo, nós disputando — e, com certeza, eu perdendo.

Cada momento que nós passamos e vivemos é único. Pode até parecer que estamos distantes, mas não estamos, meu irmão. Eu oro pela sua vida sempre. Não esqueça disso: você é uma pessoa muito importante na minha vida.

De tudo aquilo, ficou uma certeza para a vida: mais do que lembranças, ganhei um amigo. Ganhei um irmão. E, neste fim de ano, te desejo um feliz Ano Novo e um tempo de refrigério, paz e renovo em sua vida.

Obrigado por sua amizade.

De seu irmão,
Noel Souza


Banquete, ceia e hipocrisia.

Autor: Noel Souza

A hipocrisia acaba junto com a ceia.

Não é desconhecido de ninguém que vivemos a época da falsidade institucionalizada. Se existe algo que foi avisado desde os tempos primordiais é que os hipócritas não herdarão o Reino.

A Escritura é clara, repetitiva e incômoda para quem prefere a aparência à verdade: o fingimento religioso é uma das formas mais refinadas da mentira. Ainda assim, chega o fim de ano e surgem as famosas ceias. Natal, réveillon, confraternizações familiares. Mesas fartas, casas cheias, discursos ensaiados. Famílias que não se veem o ano inteiro, que brigam, se odeiam, se processam, se difamam, se destroem, de repente resolvem “deixar tudo de lado” para sentar à mesa.

À mesa, fingem comunhão. Mas comunhão não é comer pão juntos; é pensar juntos. Não é dividir alimento; é dividir verdade. O que se vê, porém, é bajulação, mentira, promessas vazias, gastos irresponsáveis, endividamento para sustentar uma imagem que não existe. Jura-se amor eterno entre pais e filhos, irmãos e irmãs, enquanto no íntimo todos sabem que, no dia seguinte, a realidade bate à porta e as máscaras caem. E assim passam o resto do ano aguardando a próxima mesa farta, não para reconciliar a alma, mas para despejar novamente sentimentos fingidos que jamais habitaram o coração.

É um cardápio previsível: Perus de hipocrisia. Saladas de mediocridade. Temperos de mentira. Promessas infames. Palavras vazias. Desejos libidinosos. Não se engane: a mesa da terra não cura ninguém. Ela não transforma caráter. Ela não regenera a alma.

A mesa doméstica não tem poder espiritual algum quando o coração permanece corrompido. Ela apenas revela, ainda que de forma disfarçada, aquilo que já está podre por dentro.

Haverá, porém, um dia em que todos estaremos diante da mesa eterna. E ali, Judas jamais poderá se assentar. Não por falta de convite, mas por falta de arrependimento. Porque naquela mesa não há lugar para fingimento, nem para teatro moral, nem para religiosidade estética.

Cuidado com o fingimento.
Isso não é caráter cristão.

É infâmia.
É hipocrisia.
É patifaria travestida de tradição.

Cristianismo não é ceia anual, é vida transformada.
Não é mesa farta, é consciência limpa.
Não é abraço protocolar, é reconciliação verdadeira.

Enquanto houver mais preocupação com a aparência do prato do que com o estado da alma, continuaremos celebrando banquetes que Deus jamais abençoou.

Porque a hipocrisia, no fundo, sempre acaba quando a ceia termina — mas o juízo permanece.

Carta de um Religioso à Turma do “Não Tem Nada Não” — A Queda da Igreja

Carta de um Religioso à Turma do “Não Tem Nada Não” — A Queda da Igreja

Garagem de Profetas

A queda da Igreja não acontece de uma vez. Ela começa sempre do mesmo modo: pela concessão.

Primeiro, aceita-se o paganismo. Árvore de Natal, peru, ceia, enfeites — tudo tratado como “besteirol inofensivo”. Afinal, dizem, é só cultura. É só tradição. É só um Natal.

No final do ano, aceita-se também a champanhe, o vinho social, a cerveja sem álcool. Nada demais — repetem.

No ano seguinte, os discursos já mudam. O que antes era exceção vira regra. O que era pecado passa a ser relativizado. O que escandalizava agora é normal.

Logo aparecem os amantes de pastores. Os divórcios dos fiéis se multiplicam. A pornografia começa a ser tolerada entre os jovens. Surgem pombas-giras disfarçadas de crente, vestidas como se fossem a um bordel, mas ocupando os bancos da igreja.

Os púlpitos se enchem de homens lascivos, beberrões, adúlteros. E então vem o próximo passo: “Deixem os crentes andarem como quiserem.”

Afinal — dizem eles — alguns pastores não têm moral para repreender ninguém.

Pintaram as paredes. Destruíram os símbolos. Jogaram fora milhares de anos de santidade em troca de ver a igreja cheia.

Cheia de quê? De crentes que passam o dia na esbórnia, ouvindo música mundana, xingando, brigando uns com os outros, andando seminus e chamando isso de liberdade cristã.

Mas tudo isso é sempre justificado do mesmo modo: “É só um Natal.”

E quando alguém se levanta para dizer que isso não é Igreja, a resposta vem pronta: você é exagerado, você é arrogante, você é religioso demais.

Na boca desse povo, eu sou o problema. Na mente da turma do “não tem nada não”, qualquer limite é fanatismo.

Confissão

Se ser religioso é não aceitar heresias desde a sua origem, então eu sou religioso.

Se ser religioso é não permitir que o pecado entre na minha casa, mesmo travestido de cultura ou tradição, então eu sou religioso.

Se ser religioso é não aceitar o fermento dos fariseus, então eu sou religioso.

Se ser religioso é não aceitar a bebida, a mentira e o engano, então eu sou religioso.

Se ser religioso é não pactuar com heresias, com paganismo e com dominações falsas, então eu sou religioso.

A Igreja

A Igreja não é eclética. A Igreja é separatista.

Ela é sal da terra e luz do mundo. E se o sal não incomoda, não presta para salvar: será pisado pelos homens.

Igreja é ekklēsía: reunião dos que foram tirados para fora. Não dos que se unem ao mundo, mas dos que se separam dele.

E se o preço dessa separação é ser mal visto, que seja. O mundo nos odeia porque odiou a Cristo primeiro.

Não estamos aqui para sermos aceitos pelo mundo, nem para nos unirmos a ele, mas para sermos rejeitados por amor a Cristo.

Posição Final

Por isso, eu não desejo Feliz Natal.

O nosso Natal é a transformação de uma nova criatura encarnada em Cristo Jesus.

Eu não enfeito minha casa com árvore de pinheiro, porque foi no madeiro que Cristo entregou a Sua vida.

Eu não coloco pisca-piscas, porque não estou dando sinais ao mundo, mas aguardando Aquele que é a Estrela da Manhã.

Eu não tenho o espírito do Natal. Eu tenho o Espírito Santo.

Portanto, fique com o seu Natal. Eu fico com o meu Príncipe.

Não vos conformeis com este mundo.

Noel Souza
Garagem de Profetas

A Verdade sobre a Lascívia nas Igrejas de Hoje


A Verdade sobre a Lascívia nas Igrejas de Hoje

Se você não tem estômago para ouvir a verdade, ou se é do tipo que se ofende facilmente, então não leia este artigo.

Talvez você nem saiba o que significa lascívia. Isso acontece porque, nas igrejas modernas, muitos pastores estão mais preocupados em empurrar o envelope do amor do que em pregar a Palavra da Verdade. Ou talvez você seja aquele crente preguiçoso que não se interessa em entender o significado real das palavras bíblicas e só quer sugar da Bíblia aquilo que lhe convém: Salmo 91, Salmo 23, Salmo disso, Salmo daquilo — mas nunca o Salmo 1.

Seja por burrice, preguiça ou simples descaso, o fato é que a maioria não sabe o que é lascívia. Mas basta olhar para dentro dos cultos para vê-la em plena atividade: no palco, nas roupas, nos gestos e nas atitudes. Aquilo que antes era vergonha, agora é exibido e aplaudido. O pecado deixou de ser chamado de pecado e virou estilo de vida: a lascívia foi normalizada. O povo de Deus está sendo condicionado a achar que isso é natural.

Assim como João Batista denunciou o adultério de Herodes e a dança de Salomé, hoje quem levanta a voz contra a lascívia corre o risco de ser expulso da igreja, jogado no calabouço espiritual ou colocado em disciplina simplesmente por querer corrigir hereges.

O problema é que muitos líderes e membros já se acostumaram com o pecado. Estão tão comprometidos com ele que perderam a coragem de dizer que está errado. Mas aqui fica o alerta: pecado continua sendo pecado.

  • Roupa apertada para mostrar nudez é pecado — tanto para homens quanto para mulheres.
  • Mostrar o corpo, despertar desejo carnal nos outros e transformar o Templo do Espírito Santo em vitrine de vaidade é pecado.
  • Estimular olhares impuros e provocar pensamentos lascivos é pecado.

E isso você já sabe.

O problema ainda maior: o efeminismo no altar

Hoje já vemos homens que não parecem homens e mulheres que não parecem mulheres. Alguns pregadores:

  • Afinam a voz, rebolam, desmunhecam e gesticulam como mulheres.
  • Vestem-se com roupas sensuais, coladas e chamativas.
  • Transformam o púlpito em palco de vaidade.
  • São ungidos sem nunca terem casado, o que a Bíblia reprova.
  • Não pregam contra o pecado, vivem bajulando uns aos outros.
  • Amam fama, riqueza, outdoors e holofotes.
  • Rejeitam a palavra dura, mas idolatram curtidas e aplausos.
  • Fogem de igrejas sérias, pois sabem que um pastor verdadeiro jamais apoiaria esse comportamento.

Esses pregadores não arrastam multidões pelo Evangelho, mas pelo camaradismo barato de líderes desesperados para não perder membros e dízimos. Não estão preocupados em ser Igreja, mas apenas em manter quatro paredes cheias.

Um alerta final

A Bíblia é clara: esses falsos líderes, joios disfarçados de trigo, terão o fim anunciado. Assim como folhas secas levadas pelo vento (Jeremias 17:6), assim como árvores duas vezes mortas (Judas 1:12), eles serão arrancados e murcharão sozinhos como a tamargueira no deserto.

Espere e verá.

O Significado Bíblico de Lascívia

A palavra lascívia vem do latim lascivia, que significa libertinagem, devassidão, excesso de desejos carnais.

No Novo Testamento, o termo grego usado é aselgeia, traduzido como libertinagem, sensualidade, indecência ou comportamento sem freios. Esse termo aparece em passagens como:

  • Marcos 7:22 – “Os maus desígnios, as prostituições, os furtos, os homicídios, as avarezas, as maldades, o engano, a dissolução (aselgeia)…”
  • Gálatas 5:19 – “Porque as obras da carne são manifestas: prostituição, impureza, lascívia…”
  • 1 Pedro 4:3 – “Baste-nos o tempo passado da vida para termos feito a vontade dos gentios, andando em dissoluções (aselgeia), concupiscências, borracheiras, glutonarias, bebedeiras e abomináveis idolatrias.”

Portanto, lascívia é o pecado da sensualidade desenfreada, da imoralidade escancarada e da indecência assumida, que afronta a santidade de Deus e contamina o corpo — templo do Espírito Santo.


Escrito por Noel Souza


IMPÉRIO DA IGNORÂNCIA

SANTA IGNORÂNCIA

O Crente que Ousa Pensar

Tenho observado inúmeras vezes o seguinte fenômeno: quando um crente, membro de determinado ministério ou congregação — seja ela pentecostal ou não — decide estudar a Palavra de Deus com profundidade, buscando o auxílio do Espírito Santo e também de quem realmente zela pela verdade das Escrituras, logo nasce a suspeita.

Esse crente, chamado por Deus para ensinar, recebe o apelido pejorativo de “teólogo”.

E o que acontece em seguida? Hostilidade. Porque, para muitos ignorantes na fé, Deus seria obrigado a dar sabedoria a quem não pede, abrir portas a quem não bate e revelar a quem não busca.

A Retaliação da Liderança

O primeiro passo da perseguição é previsível: tiram o “vaso” da escala de pregação, sob o pretexto de que ele “trouxe coisa estranha para a congregação” ou que “agora está metido a teólogo”.

Na verdade, o que incomoda é que ele começou a remover as cinzas acumuladas no altar, reacendendo a chama com a Palavra rema.

Sentado no banco, o profeta fiel adoece em silêncio, carregando a tristeza de um pecado que não cometeu, vítima de uma liderança mais perdida que submarino sem radar.

O Cerco das Fofocas

Em seguida, surgem as reuniões de fofoca. Aqueles que antes se diziam amigos — cúmplices na mesma “santa ignorância espiritual” e na burrice mútua — agora o isolam.

Decidem o futuro dele como se fossem donos da sua chamada.

O crente passa a viver um caminho sem volta: não há mais retorno à mediocridade.

A Palavra que Pesa como Pedra

As poucas oportunidades que recebe na congregação vêm carregadas de dureza. Sua palavra, mesmo tímida, pesa como pedra, porque não vem dele: vem de Deus.

Então ele entende que não pode mais se calar, mesmo que custe prestígio ou amizades.

Os Admiradores da Falsidade

É aí que entram os “admiradores da falsidade”: obreiros que reconhecem sua autoridade espiritual, mas preferem permanecer molhando os tornozelos enquanto o irmão já nada em águas profundas.

Esses começam a fazer perguntas néscias, provocando-o para ver se tropeça.
São como os inimigos de Daniel: não conseguem atacá-lo pela vida espiritual, então procuram um defeito para eliminá-lo.

O Último Peso: a Hipocrisia

Por fim, ele precisa suportar em silêncio as ladainhas dos líderes:

  • “Teologia é a Bíblia.”
  • “A letra mata.”
  • “Não adianta conhecer tanto e não praticar.”

Precisa ouvir os recados velados nos púlpitos:

  • “Não sou estudioso como fulano, mas também prego Jesus.”
  • “Teologia não salva ninguém.”

Tudo isso é apenas medo e ressentimento travestidos de espiritualidade.

A Palavra Profética

A gota d’água acontece quando Deus levanta alguém de fora — um visitante, um pregador itinerante — e, diante de toda a congregação, libera a palavra profética:

“Pelejarão contra ti, mas não prevalecerão, porque Eu sou contigo.”

Nesse instante, a liderança morre de raiva, mas o profeta confirma sua vocação: em sua própria casa não terá honra, mas será levantado por Deus em muitos outros lugares, exatamente onde o império da ignorância espiritual transformou igrejas em cemitérios de profetas.

Conclusão: Vai Até o Fim

Se você vive isso, não se envergonhe nem se diminua.
Todos os profetas passaram por essa rejeição.

A Palavra já nos advertia: “é casa rebelde, não te ouvirão.”

Mas a ordem de Deus é clara:
Vai até o fim.


Escrito por Noel Souza


REMANESCENTE: UMA RESPOSTA AO EVANGELHO DE SATANÁS

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Remanescente: Uma Resposta ao Evangelho Segundo Escreveu Satanás

Na verdade, eu descobri que não estava exatamente dormindo. Não estava 100% adormecido, mas também não estava completamente acordado. Era como se eu estivesse em um estado entre os dois, uma espécie de pesadelo que muitos já devem ter vivido.

Eu queria despertar, tentei chamar quem estava ao meu lado, mas minha voz não saía. As tempestades continuavam, os trovões ribombavam e, a cada som, o medo crescia dentro de mim. Senti calafrios percorrendo minha espinha enquanto observava o que acontecia ao meu redor, tanto no mundo físico quanto no espiritual.

Pedi o tempo todo para acordar, porque não suportava mais aquela visão aterradora. Mas uma voz me disse:
“Calma, respira fundo e aguarda. Vou te dar outra visão, e nela tudo ficará mais claro.”

Na primeira visão, vi um demônio que, dez anos atrás, havia sido enviado como uma carta para uma tribo, reunindo uma legião de espíritos malignos com o objetivo de minar e destruir a igreja de Deus. Esse demônio não agiu apenas em nossa região ou estado. Em uma década, sua influência se espalhou por todo o mundo.

Ele pregava um falso evangelho a todos os que não estavam firmados nas Escrituras:

  • Os que frequentavam a igreja sem compreender a Palavra.
  • Os que liam, mas não entendiam.
  • Os que não queriam compromisso com Cristo.
  • Os que buscavam apenas bens materiais, fama, riquezas, vanglória ou prazeres terrenos.
  • Os que estavam frustrados com a vida, mudando de religião apenas como troca de estilo.
  • Os que viviam na prática das obras da carne.

Todos esses foram afetados. Homens, mulheres, líderes, crianças e até os que se deixavam guiar por seus próprios instintos eram influenciados por essa tribo maligna.

Durante esses dez anos, o ataque se infiltrou em todas as áreas: dentro e fora do evangelho, em religiões diversas, na filosofia, na sociologia, na história, na tecnologia, nos meios de comunicação, nas redes sociais, nos programas de rádio e TV.

Sempre que havia uma brecha — um coração ferido, uma mente em dúvida, uma vida marcada por decepção ou desilusão — ali esse espírito encontrava espaço. E assim milhares adotaram esse falso ensino como estilo de vida. Os pequenos se deixaram seduzir. Os grandes usaram essas palavras para se enaltecer. Até líderes religiosos, sem compreender a mensagem da cruz, começaram a pregar esse engano, distorcendo mentes e afastando corações de Deus.

Mas então me foi dito:
“Agora vou te mostrar o outro lado da história.”

O intuito do inimigo não era apenas pregar. Ele queria que eu olhasse a igreja com os mesmos olhos dele: enxergando apenas fraqueza, pecado e miséria. Desejava que eu visse a noiva de Cristo como uma multidão carnal e caída, em vez de como coluna e firmeza da verdade.

Contudo, nem tudo estava perdido.


O Remanescente

Foi então que percebi algo diferente. O efeito do veneno do inimigo em mim só escurecia a visão por alguns minutos. Logo, quando a luz da Palavra chegava, a poeira desaparecia e eu podia ver novamente a verdade. Mas sobre aqueles que não têm o Espírito Santo, o inimigo consegue cegar o entendimento, fazendo-os olhar para a igreja apenas da forma distorcida que ele deseja.

E então vi passar diante de mim um homem. Nas costas de sua camisa estava escrito: “Remanescente”. Ele estava vestido de forma simples, mas preparado para ir ao culto.

Caminhava de cabeça erguida, olhos firmes para frente. À sua mão direita segurava uma espada que iluminava seus passos. Embora fosse noite, parecia que à sua frente tudo clareava. Seus olhos não se desviavam, nem por um instante.

À sua direita e à sua esquerda havia densas trevas. O ruído de carros, asas batendo, risadas e zombarias tentavam atingi-lo. Jogavam contra ele baldes de escárnio, facas de chacota e línguas de serpente. Mas, à medida que caminhava com a espada diante de si, todos os obstáculos eram desviados sem que ele sequer percebesse.

Vi pessoas tentando distraí-lo com fofocas e mentiras, mas a espada o fazia desviar desses caminhos. Ele seguiu firme até chegar à igreja.

Ali se assentou, colocou a espada ao lado, dobrou os joelhos e orou por mais de meia hora. Suas lágrimas caíam, mas desapareciam antes de tocar o chão, pois eram recolhidas por anjos. Ele confessava pecados, buscava renovação, enquanto o inimigo, do lado de fora, gritava desesperado, pois sabia que seu plano havia falhado.

Vi então que “Nefasto” e “Injúria” se reuniram diante da igreja, rabiscando novos planos contra aquele homem. Mas, enquanto tramavam, o jovem Remanescente ergueu as mãos e começou a adorar. À medida que adorava, os escritos do inimigo se apagavam como se nunca tivessem existido.

Durante a ministração da Palavra, ele permanecia em pé, atento, sem se distrair com nada ao redor. E a espada que carregava ficava cada vez maior, mais forte, mais resplandecente.

Ao final, voltou pelo mesmo caminho. Mas já não havia trevas, nem zombarias, nem línguas venenosas. Tudo estava claro como o dia. A cada passo, a espada iluminava ainda mais.

E então acordei com uma voz que me dizia:

“Enquanto houver um remanescente em cada esquina, em cada congregação, em cada trabalho, todos os planos do inimigo, ainda que ele reúna o inferno inteiro, não terão efeito sobre aqueles que caminham com a espada diante de si. Lembre-se: Salmo 119:105 — Lâmpada para os meus pés é a tua palavra, e luz para o meu caminho. Nada está perdido.”


FELIZ ANIVERSÁRIO


Feliz Aniversário

O telefone tocou num domingo pela manhã, quando todos haviam ido à missa, exceto Sóstenes — um velho de mais de oitenta anos que vivia a reclamar da vida.

— Fale logo, não tenho o dia todo! — disse o velhaco com intrepidez.

— Tenho uma novidade para contar — respondeu mansamente a voz do outro lado.

— Problema seu. Não lhe perguntei nada — resmungou o idoso.

— Deixe de grosseria! Nem vai perguntar quem é? — retrucou a voz.

— Pra quê?

— Ora, quando o telefone toca se diz “alô” e se pergunta quem fala… o senhor nunca atendeu um telefone?

— Pois bem, o telefone é meu e eu atendo como quiser.

— Então está bem, mal-educado. Agora não lhe conto a novidade.

— Problema seu! Até bom, porque já tomei raiva da sua cara e olha que nem sei seu nome ainda.

O velho finalizou a ligação, batendo o telefone com força. Após essa conversa desagradável, saiu da sala em direção à varanda, praguejando:

— Maldito seja Alexander Graham Bell, anátema seja esse maldito aparelho! E toda essa ordinária tecnologia! Ligam para mim e ainda querem me dar ordens? Pois não atenderei mais nenhum telefonema!

Assentou-se numa cadeira preguiçosa que lhe parecia desconfortável, esmurrando-a na tentativa de torná-la mais cômoda. Era cedo, por volta das nove da manhã. O velho ainda não havia feito a primeira refeição, mas já havia baforado seu charuto matinal.

Inquieto, mudou-se para a rede, o mais distante possível da casa. Em instantes começou a observar as nuvens que se moviam. De repente, parecia que ia chover de novo — há dias chovia muito e forte. Não demorou e já gotejava-lhe na testa enrugada. A chuva o pegou em cheio. Desceu da rede correndo e voltou para casa, resmungando sozinho, tateando pelos móveis, reclamando da idade e de já não enxergar direito.

— Odeio chuva, odeio domingo, odeio inverno! Vão para o diabo com a missa de vocês, com os telefones e com essas cadeiras! Vão para a peste da peste!

O telefone tocou novamente. Ele tentou correr para atender, pensando em despejar mais impropérios. Mas tropeçou numa poltrona e blasfemou aos berros:

— Maldita seja, Zeza! Velha cega! Sabe que eu não enxergo e me põe esta praga no meio do caminho? Tomara que lhe caiam as mãos na próxima vez que cometer esse crime! Assassina de canela de velho! Vou denunciá-la por maus-tratos! E essa máquina maldita também, que não para de tocar! Já disse que já vou! Você é surdo? Não gosto de dizer “alô” e muito menos de perguntar “quem é”!

Do outro lado, a voz respondeu:

— Alô! Sóstenes?

— Ruuuunh… — resmungou o velho rancoroso, alisando a canela machucada.

— Gostaria de falar com o senhor Sóstenes Demétrio Viega, por favor.

— Fale logo que já estou nervoso de tanta ligação!

— Calma, meu velho. Tenho uma notícia para lhe dar.

— Deixe de ensebamento, infeliz!

Do outro lado, ouviu-se uma gargalhada assombrosa.

— Tem certeza de que não quer saber quem fala?

— Isso vai mudar alguma coisa? — gritou o velho.

— Não exatamente — respondeu a voz, agora mais grave e enérgica.

— Então, insuportável, dê a notícia ou desligue, seu imbecil!

— Está certo, então. A notícia é que comprei sua passagem hoje e estarei passando aí para lhe buscar logo mais, exatamente às 14h32, assim que terminar de almoçar, quando o povo chegar da missa.

O telefone ficou mudo.

— Passar aqui pra quê? Ir pra onde? Que piada é essa?!

Ele se assentou ao pé do telefone, sem entender nada. Lá fora, a chuva caía aos baldes, o vento soprava forte contra a porta da frente.

A família chegou às 13h30. O velho já estava escorado no sofá, coberto com dois cobertores. Suas netinhas gêmeas pulavam por cima dele, ensopando o sofá e o tapete. Puxavam sua barba e ele, finalmente, abriu um sorriso, mostrando a falta de metade dos dentes. Riam e faziam cócegas, gritando com um embrulho nas mãos que parecia ser um presente.

— Parabéns, vovô! — disseram elas, sem que o velhaco se lembrasse de que era seu aniversário.

Sóstenes logo associou as ligações que o incomodaram desde cedo àquela notícia.

— Meu aniversário, claro! Como pude me esquecer?

Pela primeira vez em muitos anos, sorriu de verdade, afagando as netas e agradecendo pelo presente. Subiu devagar as escadas, trocou a roupa molhada, vestiu a melhor que tinha, pegou uma mala que há muito cheirava a naftalina e jogou dentro alguns papéis, seu documento e uma foto antiga de sua última viagem. Desceu com um gorro de Natal, um cachecol colorido feito pela finada esposa e suas sandálias de couro.

— Pronto para a viagem! — disse, descendo as escadas.

Zeza, a cozinheira, largara o terço e acendia o fogo para preparar o almoço atrasado pelo temporal. O genro acendia o lampião, pois já havia mais de uma semana sem energia elétrica na região. A lareira foi acesa para alegria das crianças. O cheiro do lombo bovino no tempero invadia a casa.

— Papai, se mamãe estivesse viva não lhe permitiria comer essas coisas fortes. Não abuse, é só hoje, viu? — disse a filha, arrumando a mesa, sem notar as malas do pai.

O velho tossiu secamente, resmungando que ninguém mandava nele — nem vivos, nem mortos. As meninas gritavam:

— Comida, comida, comida!

Em meio a trovões e relâmpagos, o almoço começou. O rádio de pilha chiava, com o locutor falando sobre o clima e anunciando as horas entre músicas internacionais.

Sóstenes comia como se nunca tivesse se alimentado na vida.

— Eu já estava morrendo de fome… Deve ser o horário, o frio ou a raiva que vocês me fizeram passar hoje!

— Raiva? Que raiva, vovô? — perguntou uma das netas.

— Vocês me ligaram a manhã inteira! Não vem que não tem, não me enganam! Não sou besta!

— Como assim te ligamos? — falou Jorge, o genro, repelindo a acusação.

— Ora, quem mais saberia meu nome completo e endereço? E que vocês estavam na missa? E sobre meu aniversário? Sei que foram vocês!

Zeza entrou com o termômetro.

— Trinta e oito graus de febre! Minha nossa!

— Não é nada! Eu só descobri a surpresa que vocês iam me fazer! Pensam que sou bobo? E aquela história de viagem?

— Que viagem, papai? Que telefonema? — perguntou a filha, preocupada.

Chamou o esposo ao canto e cochichou:

— A febre está alta… Nosso telefone nós vendemos há três anos, logo após a morte da mamãe. E como íamos ligar, se não tem energia elétrica?

Antes que pensassem em como contar ao idoso que talvez estivesse delirando, o locutor bradou:

— São exatamente 14 horas e 32 minutos. A temperatura segue em dez graus e, apesar da chuva recuar, a previsão é de mais frio.

Ao ouvir as horas, o velho gesticulou, apontando para o rádio. Engasgou-se com o bocado de comida, tossiu e caiu roxo sobre a mesa, sufocado.

Os netos gritavam, a cozinheira suava, a filha chorava, o genro o sacudia…

E o velho morria.

Noel Souza


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