Mês: dezembro 2025

RECONHECIMENTO

Para meu irmão, Taylon Albert.

Antes de mais nada, quero dar uma resposta aos críticos de plantão. Este reconhecimento público não é sobre ser “o maior” ou “melhor” que os outros, mas sim sobre reconhecer quem dá o seu melhor para a obra de Deus.

A muito tempo ouço críticos que nada entendem do Evangelho e observo pastores que, embora precisem de pregadores itinerantes, valorizam apenas o que vem de fora, mas não estendem a mão para ajudar as “pratas da casa”.

Parabenizo o trabalho do Portal Adoradores por valorizar e trazer reconhecimento a quem tanto faz pela obra, mas raramente recebe um elogio.

Nestes tempos de “sanguessugas espirituais”, Deus está levantando um povo que crê nos Seus profetas e prospera junto com eles.Meus parabéns, jovem Taylon!

Somente Deus sabe o quão difícil é para um jovem empenhar-se tanto no Reino. Ser o melhor não é sobre posição; é entregar a vida sem medida e sem reservas. Ser o melhor é dar o máximo dia após dia, sobrevivendo entre lutas, erros e acertos, para à noite estar nos púlpitos com a “cabeça do gigante” nas mãos.Você tem demonstrado ser essa pessoa.

Seja em igrejas grandes que oferecem recompensa ou nas pequenas, onde às vezes não ofertam nem o valor do transporte, você vai. Prega no frio ou no calor; não existe tempo ruim para você.

Ser pregador é isso: entregar o máximo sem esperar recompensa humana, equilibrando-se entre as críticas e os elogios. É saber ser como a “cidade edificada sobre o monte”, mas também saber se esconder no deserto no tempo certo.

Continue assim, vaso de Deus. Sua caminhada será longa e próspera nesta terra (se Jesus não voltar antes). Saiba que este troféu simbólico é apenas um pequeno reconhecimento humano, mas na Glória haverá um galardão sem medidas. Deus é contigo, e eu sigo aqui intercedendo por sua vida.

Vá em frente, rompa as barreiras desta geração, arraste multidões e voe alto. Seja feliz!Que Deus te abençoe e te guarde,De seu irmão, Noel Souza

PARA MINHA IRMÃ MARIA

Para minha irmã Maria José da Silva,
de seu irmão Noel

Ainda me lembro como se fosse agora. Meu pai me contava, depois de um dia de chuva forte, quando alguns tinham medo de ir trabalhar por causa dos trovões, sobre uma filha que ele teve — mulher de nascimento, mas, segundo ele, homem na coragem, na força e na forma de viver a vida.

Ele falava de Maria José da Silva, nascida na região de Itamira, na antiga Serra do Aporã. Ao nascer, era mais uma menina prometida ao cuidado do lar, criada para ser dona de casa, mãe de família, uma princesinha protegida. Mas o destino tinha outros planos.

Desde cedo, Maria descobriu o gosto pela agricultura e pela agropecuária. No trato com os animais, na montaria de cavalos bravos, no trabalho pesado da roça, no plantio e na colheita, ela se destacava. Carregava no sangue a genética do pai e as durezas da vida: a teimosia, a firmeza e a resistência.

Cresceu no meio dos irmãos, ajudando o pai, acordando ainda de madrugada para cuidar da casa, dos irmãos mais novos e da fazenda. Buscava água para o gado, limpava, colhia, tirava leite, enfrentava o sol forte, a chuva e o frio. Viajou quilômetros a cavalo para negociar e vender. Derrubava touros pelo chifre, fazia o que muitos homens não tinham coragem de fazer.

Com o tempo, tornou-se uma alegria tão grande para o pai que ele dizia sem hesitar:
“Essa menina deveria ter nascido homem, porque nem todos os homens fazem o que ela faz.”

A vida seguiu seu curso. Cada um tomou seu caminho. Ela cresceu, formou família, teve filhos e enfrentou lutas duras dentro do próprio lar. O casamento lhe trouxe dores, mas também a fortaleceu. Tornou-se mais firme, mais ríspida talvez, mas também maior.

Como mãe dedicada, lutou pelos filhos. Acordava cedo, limpava, lavava, passava, cozinhava, costurava de dia e de noite para que nada lhes faltasse. Trabalhou incansavelmente para que eles estudassem, crescessem e não dependessem de ninguém. Com muito sacrifício, criou praticamente todos sozinha.

E é a ti, minha irmã Maria, que dedico esta mensagem.

No meio de todas essas dores e batalhas, você me acolheu em sua casa. Alimentou-me, cuidou de mim, ensinou-me a vida, aconselhou-me e puxou meu pé para que eu estudasse. Nunca deixou faltar nada. Se hoje sou alguém com consciência moral, agradeço a Deus, ao nosso pai e a você, que sempre me deu conselhos sábios e direção física, material e espiritual.

Você me acolheu nos momentos de dificuldade, de perda e até quando você mesma enfrentava suas próprias pelejas — e isso nunca diminuiu seu cuidado comigo.

Louvo a Deus pela sua vida. Oro por ti. Agradeço por cada gesto de amor, cada conselho, cada momento em que deixou de cuidar de si para cuidar de mim. Meu pai tinha razão: nem todos os homens fazem o que você fez e faz.

Desejo que Deus te conceda um final de ano maravilhoso e um novo ano próspero, cheio de paz, alegria e amor.

E que nunca se apague a imagem daquela menina montada num cavalo borrachinha, rompendo as tempestades da vida e erguendo a bandeira da vitória.

Um beijo, minha velha.
Te amo.


MAIS QUE UM AMIGO


Ao meu irmão Leandro,

Lembro exatamente o momento da vida em que nos aproximamos. Você e eu, em plena adolescência — quer dizer, eu um pouco mais novo, e você com aquele cabelo de índio. Logo que te vi, você me convidou para brincar dentro da caixa da máquina de sua mãe. Achei que fosse um pique-esconde, mas na verdade era basquete.

Juro que nem sabia que brincadeira era aquela. Consistia em lançar a bola de tênis no caixote, no varal das cortinas, e quem mais acertasse vencia a disputa. Mas havia uma regra: antes, a bola precisava quicar na caixa da máquina, que ficava aos pés de sua mãe. Esse era o problema… ela, como sempre, estava costurando. Logo reclamou, e nós paramos. Ela disse:
Seu nego, não está vendo que estou trabalhando? E você também, magrelo!

Depois disso, você arrumou outra coisa para fazer. Saímos para caçar passarinho. Você matou três com uma pedra só — uma mania que você tinha de guardar sempre a mesma pedra.

Também me lembro das vezes em que você me ensinava a jogar bola, me incentivava a estudar, acreditava em mim. Recordo-me de você me emprestando suas roupas, cortando o meu cabelo no estilo Sulley Muntari, me fazendo sentir importante. Lembro das vezes em que saímos, passeamos, conhecemos outros lugares. Das vezes em que te acompanhei para você ir jogar bola, eu segurando sua chuteira com muito orgulho, gritando: Camisa 10!

Anos depois, quando meu pai morreu, nos sentamos no mesmo lugar, relembrando essa cena, com duas doses na mente, ouvindo Racionais e jogando videogame. Pensamos juntos:
Parece que foi ontem, mas já se passaram 18 anos.

Ali vi o seu sentimento de respeito pela nossa infância e senti que era verdadeiro. Hoje, já se vão mais 17 anos, e ainda me lembro daquela cena: a bola descascada pelo tempo, nós disputando — e, com certeza, eu perdendo.

Cada momento que nós passamos e vivemos é único. Pode até parecer que estamos distantes, mas não estamos, meu irmão. Eu oro pela sua vida sempre. Não esqueça disso: você é uma pessoa muito importante na minha vida.

De tudo aquilo, ficou uma certeza para a vida: mais do que lembranças, ganhei um amigo. Ganhei um irmão. E, neste fim de ano, te desejo um feliz Ano Novo e um tempo de refrigério, paz e renovo em sua vida.

Obrigado por sua amizade.

De seu irmão,
Noel Souza


Banquete, ceia e hipocrisia.

Autor: Noel Souza

A hipocrisia acaba junto com a ceia.

Não é desconhecido de ninguém que vivemos a época da falsidade institucionalizada. Se existe algo que foi avisado desde os tempos primordiais é que os hipócritas não herdarão o Reino.

A Escritura é clara, repetitiva e incômoda para quem prefere a aparência à verdade: o fingimento religioso é uma das formas mais refinadas da mentira. Ainda assim, chega o fim de ano e surgem as famosas ceias. Natal, réveillon, confraternizações familiares. Mesas fartas, casas cheias, discursos ensaiados. Famílias que não se veem o ano inteiro, que brigam, se odeiam, se processam, se difamam, se destroem, de repente resolvem “deixar tudo de lado” para sentar à mesa.

À mesa, fingem comunhão. Mas comunhão não é comer pão juntos; é pensar juntos. Não é dividir alimento; é dividir verdade. O que se vê, porém, é bajulação, mentira, promessas vazias, gastos irresponsáveis, endividamento para sustentar uma imagem que não existe. Jura-se amor eterno entre pais e filhos, irmãos e irmãs, enquanto no íntimo todos sabem que, no dia seguinte, a realidade bate à porta e as máscaras caem. E assim passam o resto do ano aguardando a próxima mesa farta, não para reconciliar a alma, mas para despejar novamente sentimentos fingidos que jamais habitaram o coração.

É um cardápio previsível: Perus de hipocrisia. Saladas de mediocridade. Temperos de mentira. Promessas infames. Palavras vazias. Desejos libidinosos. Não se engane: a mesa da terra não cura ninguém. Ela não transforma caráter. Ela não regenera a alma.

A mesa doméstica não tem poder espiritual algum quando o coração permanece corrompido. Ela apenas revela, ainda que de forma disfarçada, aquilo que já está podre por dentro.

Haverá, porém, um dia em que todos estaremos diante da mesa eterna. E ali, Judas jamais poderá se assentar. Não por falta de convite, mas por falta de arrependimento. Porque naquela mesa não há lugar para fingimento, nem para teatro moral, nem para religiosidade estética.

Cuidado com o fingimento.
Isso não é caráter cristão.

É infâmia.
É hipocrisia.
É patifaria travestida de tradição.

Cristianismo não é ceia anual, é vida transformada.
Não é mesa farta, é consciência limpa.
Não é abraço protocolar, é reconciliação verdadeira.

Enquanto houver mais preocupação com a aparência do prato do que com o estado da alma, continuaremos celebrando banquetes que Deus jamais abençoou.

Porque a hipocrisia, no fundo, sempre acaba quando a ceia termina — mas o juízo permanece.

Carta de um Religioso à Turma do “Não Tem Nada Não” — A Queda da Igreja

Carta de um Religioso à Turma do “Não Tem Nada Não” — A Queda da Igreja

Garagem de Profetas

A queda da Igreja não acontece de uma vez. Ela começa sempre do mesmo modo: pela concessão.

Primeiro, aceita-se o paganismo. Árvore de Natal, peru, ceia, enfeites — tudo tratado como “besteirol inofensivo”. Afinal, dizem, é só cultura. É só tradição. É só um Natal.

No final do ano, aceita-se também a champanhe, o vinho social, a cerveja sem álcool. Nada demais — repetem.

No ano seguinte, os discursos já mudam. O que antes era exceção vira regra. O que era pecado passa a ser relativizado. O que escandalizava agora é normal.

Logo aparecem os amantes de pastores. Os divórcios dos fiéis se multiplicam. A pornografia começa a ser tolerada entre os jovens. Surgem pombas-giras disfarçadas de crente, vestidas como se fossem a um bordel, mas ocupando os bancos da igreja.

Os púlpitos se enchem de homens lascivos, beberrões, adúlteros. E então vem o próximo passo: “Deixem os crentes andarem como quiserem.”

Afinal — dizem eles — alguns pastores não têm moral para repreender ninguém.

Pintaram as paredes. Destruíram os símbolos. Jogaram fora milhares de anos de santidade em troca de ver a igreja cheia.

Cheia de quê? De crentes que passam o dia na esbórnia, ouvindo música mundana, xingando, brigando uns com os outros, andando seminus e chamando isso de liberdade cristã.

Mas tudo isso é sempre justificado do mesmo modo: “É só um Natal.”

E quando alguém se levanta para dizer que isso não é Igreja, a resposta vem pronta: você é exagerado, você é arrogante, você é religioso demais.

Na boca desse povo, eu sou o problema. Na mente da turma do “não tem nada não”, qualquer limite é fanatismo.

Confissão

Se ser religioso é não aceitar heresias desde a sua origem, então eu sou religioso.

Se ser religioso é não permitir que o pecado entre na minha casa, mesmo travestido de cultura ou tradição, então eu sou religioso.

Se ser religioso é não aceitar o fermento dos fariseus, então eu sou religioso.

Se ser religioso é não aceitar a bebida, a mentira e o engano, então eu sou religioso.

Se ser religioso é não pactuar com heresias, com paganismo e com dominações falsas, então eu sou religioso.

A Igreja

A Igreja não é eclética. A Igreja é separatista.

Ela é sal da terra e luz do mundo. E se o sal não incomoda, não presta para salvar: será pisado pelos homens.

Igreja é ekklēsía: reunião dos que foram tirados para fora. Não dos que se unem ao mundo, mas dos que se separam dele.

E se o preço dessa separação é ser mal visto, que seja. O mundo nos odeia porque odiou a Cristo primeiro.

Não estamos aqui para sermos aceitos pelo mundo, nem para nos unirmos a ele, mas para sermos rejeitados por amor a Cristo.

Posição Final

Por isso, eu não desejo Feliz Natal.

O nosso Natal é a transformação de uma nova criatura encarnada em Cristo Jesus.

Eu não enfeito minha casa com árvore de pinheiro, porque foi no madeiro que Cristo entregou a Sua vida.

Eu não coloco pisca-piscas, porque não estou dando sinais ao mundo, mas aguardando Aquele que é a Estrela da Manhã.

Eu não tenho o espírito do Natal. Eu tenho o Espírito Santo.

Portanto, fique com o seu Natal. Eu fico com o meu Príncipe.

Não vos conformeis com este mundo.

Noel Souza
Garagem de Profetas

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