Miguel Nunca Será Novo?

O nosso bairro vem, há muitos e muitos anos, enfrentando uma crise existencial que transcende o plano físico; é algo de ordem espiritual. É bem verdade que existem pessoas de boa intenção, desejosas de ajudar, mas que acabam sendo mal interpretadas ou jogadas no “mesmo saco” da mediocridade geral. Entretanto, o que precisamos tratar aqui é da casta de governantes que se apoderou da nossa cidade.

Eles agem como se o poder público fosse um bem vitalício, uma cadeira cativa por direito de herança, tanto na Câmara de Vereadores quanto no Executivo e até em esferas do Judiciário. Esses sujeitos, que enchem a boca para falar em “favor da democracia”, são, na verdade, personalidades obstinadas e endurecidas de coração. Esqueceram-se de que existe um povo — aquele que os elegeu e que paga, obrigatoriamente, os seus impostos.

A atitude desses políticos causa enojo. Quando o cidadão exerce o seu direito de cobrança, eles reagem com vertigens, como se a cobrança fosse uma heresia ou um ataque indevido. Estão tão agarrados ao poder que a simples ideia de não se reelegerem os tira do sério. Se hoje você cobra aquele em quem votou — o que é um dever e uma dignidade do eleitor —, você deixa de ser um cidadão para ser tratado como alguém de “mau gosto”, um inimigo da ordem estabelecida. Na época da eleição, eles aceitam todo tipo de crítica e fazem acordos com o diabo, vendendo a própria alma ao inferno se for preciso. Mas, ao primeiro passo após a posse, qualquer um que ouse questionar o governo é marcado como inimigo e passa a sofrer retaliações de um coronelismo arcaico.

O Barro da Glória e a Lama do Desprezo

Para entender a profundidade da nossa decadência, é preciso ouvir quem carrega a memória do Miguel Velho na pele. Ao conversarmos com os moradores que estão aqui há mais de 60 anos, percebemos que a crise não é apenas de gestão, mas de memória. O nosso bairro já foi um pujante polo industrial, centro da fabricação de telhas e cerâmicas. O barro do Miguel Velho era sinônimo de progresso. Hoje, o único barro que nos resta é o que se acumula no meio da estrada, impedindo que os carros circulem e isolando os moradores.

Houve um tempo em que o Miguel Velho era o palco das grandes discussões políticas; as pessoas tinham prazer em frequentar a Associação de Moradores. Hoje, o que vemos nos olhos dos nossos idosos é o mais profundo enojo. Eles assistiram à política ser transformada em um balcão de negócios enquanto o bairro parou no tempo.

A Maldição da Desunião Política

Desde os tempos do saudoso Farias, o Miguel Velho vive um deserto de representatividade. Temos os votos, mas não temos a cadeira. E não é por falta de nomes. Temos o Francisco “Nem”, focado no esporte e nas tradições, que luta contra barreiras invisíveis e até problemas estranhos na urna eletrônica. Temos o Marcos, homem do Direito e da comunicação, que exerce uma oposição necessária, mas que ainda não converteu a crítica em votos suficientes.Temos também o Francisco Buíca, o “Amigo do Povo”, com mais de 30 anos de experiência e um dos fundadores da nossa Associação. Buíca é história viva: ajudou na chegada da água tratada, na construção de casas populares e no desbravamento de ruas. Hoje, ele integra a base do governo do prefeito Gustavo Carmo, o que nos faz questionar: será este o caminho para finalmente trazer o asfalto ou apenas mais uma liderança silenciada pelo sistema?Não muito longe, fazendo parte da nossa história, temos o Parque Moreira, o Parque Santa Maria e a Baixa da Candeia. É ali que encontramos a figura de José Alves Filho, um homem que provou que a vontade política produz frutos. Como presidente de associação, ele fez o papel que muitos vereadores não fazem: buscou emendas, trouxe o asfalto para a estrada da Baixa da Candeia e garantiu a instalação do Posto de Saúde da Família na divisa com o Parque Moreira. Ele provou que a cobrança corajosa produz resultados reais.

O Despertar Necessário: Acorda Povo!

O que tento esclarecer, caro leitor, é que o nosso bairro tem tudo para crescer. Qualquer um desses nomes possui potencial para ser um líder comunitário ainda mais forte. Mas a questão começa no povo.O povo está dormindo.Um povo que deveria eleger seus representantes pelos méritos e pelas lutas, mas que, na hora da urna, não consegue se unir. Se somarmos os votos de todos esses líderes, não elegeríamos um vereador. E por quê? Porque o povo não consegue olhar para frente; só consegue olhar para o próprio “bucho”. Aceitam ser comprados por sacos de cimento, cestas básicas ou promessas vazias de emprego na prefeitura.

Quem aceita ser comprado não tem o direito de reclamar. O “Miguel Velho” não continuará sendo um lugar velho e atrasado por causa do nome, mas porque as pessoas que nele habitam estão com a mentalidade atrasada. É preciso acordar para a vida! É preciso entender que um direito não se troca por um favor. Se o povo não se organizar e parar de vender o futuro por uma migalha no presente, o Miguel nunca será novo.

Autor: Noel Souza

O Carnaval Permanente e a Política da Anestesia Coletiva

Há algo de profundamente doente na maneira como o poder público brasileiro — e, de modo particular, o baiano — passou a tratar o dinheiro do contribuinte. Não se trata mais de má gestão apenas. Trata-se de um projeto de distração contínua, um regime de anestesia moral travestido de política cultural.O Estado já não governa: entretem. Sob o pretexto de “valorizar a cultura”, “movimentar a economia” e “gerar emprego e renda”, despejam-se milhões de reais em festas, shows, carnavais fora de época, São João hipertrofiado e espetáculos cuja principal função não é educar, elevar ou civilizar, mas entorpecer.

O discurso é sempre o mesmo. Repetido à exaustão, como um mantra ideológico:— O dinheiro vai para a rua.— A economia gira.— O povo precisa de lazer. Mas essa narrativa só se sustenta enquanto ninguém resolve fazer a pergunta essencial: a que custo e em benefício de quem? Quando o governo da Bahia gasta dezenas de milhões de reais em eventos festivos, contratando artistas com cachês que ultrapassam com folga o orçamento anual de muitas escolas públicas, não estamos diante de política cultural.

Estamos diante de engenharia social. A cultura, nesse contexto, deixa de ser expressão da identidade de um povo e passa a ser instrumento de controle emocional das massas. O modelo é antigo. Não nasceu no Brasil, nem na Bahia. Foi formulado com precisão brutal na Roma decadente: pão e circo. Na ausência de virtude, oferece-se prazer. Na falta de justiça, distribui-se espetáculo. Onde não há governo, há festa.O mais grave, porém, não é o gasto em si. É o efeito psicológico produzido. A população passa a associar política a entretenimento, governo a evento, gestão pública a palco. O cidadão deixa de ser sujeito político e se converte em plateia. A crítica desaparece, substituída pelo aplauso. A cobrança se dissolve na euforia coletiva.Enquanto isso, escolas continuam sem estrutura. Creches seguem insuficientes. Campos de futebol comunitários — que poderiam formar jovens, disciplinar corpos e educar almas — permanecem inexistentes. Parquinhos infantis, equipamentos básicos de convivência social, são tratados como luxo, enquanto trios elétricos recebem prioridade orçamentária. Não se trata de ser contra a música, a festa ou a tradição popular. Essa é a caricatura usada para desqualificar qualquer crítica. Trata-se de algo muito mais profundo: a inversão completa das prioridades do Estado . Um governo sério investe primeiro no que é estrutural e permanente. Educação não dá voto imediato, saneamento não rende selfie, creche não viraliza no Instagram. Já um show milionário rende aplauso instantâneo, gratidão emocional e silêncio político. O populismo moderno não se sustenta mais apenas na promessa. Ele se sustenta na sensação. E nada produz mais sensação do que música alta, multidão e euforia coletiva. O povo é conduzido não pela força, mas pelo afeto manipulado. Não se impõe a submissão: ela é desejada. Como gado conduzido não pelo chicote, mas pelo sal. Nesse ambiente, qualquer tentativa de lucidez é vista como amargura. Quem questiona é taxado de elitista. Quem cobra prioridade é chamado de inimigo da cultura. É o triunfo da infantilização política. A Secretaria de Cultura, de Esporte e de Lazer torna-se, na prática, um departamento de distração institucionalizada. Não promove cultura no sentido clássico — aquele que forma caráter, transmite valores e eleva o espírito —, mas apenas entretenimento bruto, repetitivo e emocionalmente raso.

O resultado é um povo cansado, confuso e permanentemente excitado, mas incapaz de formular uma crítica consistente. Uma sociedade que canta muito, dança bastante, mas pensa cada vez menos.E isso não é um acidente. É método. Governar uma população consciente exige virtude, competência e responsabilidade. Governar uma população distraída exige apenas orçamento para festas. Enquanto a multidão ocupa as ruas cantando, o poder permanece confortável. Porque povo entretido não fiscaliza, não compara, não exige, não reage.

Pensar dói. Festejar anestesia. E essa é a escolha política feita quando se troca escola por palco, creche por camarim, campo de futebol por trio elétrico.

Não é lazer.

Não é cultura.

É controle disfarçado de celebração.

E enquanto isso continuar sendo tratado como normal, a decadência seguirá sendo comemorada com fogos de artifício. E advinha quem paga essa conta?

Noel Souza

O PAPEL CONSTITUCIONAL DO VEREADOR

Nem gritaria vazia, nem submissão cega

A função real do vereador na Constituição

A Constituição Federal não criou o cargo de vereador para servir de palanque político nem para funcionar como carimbo automático do Poder Executivo.

O vereador foi eleito para representar o povo com responsabilidade, equilíbrio e compromisso institucional.Quando o mandato é reduzido a extremos, a democracia local perde força. De um lado está o vereador que apenas reclama, cobra e faz barulho. Do outro está o vereador da base que confunde apoio político com submissão total. Nenhum desses comportamentos cumpre a função constitucional do cargo.

O que a Constituição Federal determina

O artigo 29 da Constituição Federal estabelece que o Poder Legislativo Municipal existe para representar a população local. Representar significa ouvir o povo, organizar demandas e transformá-las em ações políticas concretas.

Representar não é atacar por conveniência. Representar também não é apoiar por interesse. O artigo 31 da Constituição Federal define que cabe à Câmara Municipal fiscalizar o Poder Executivo. Fiscalizar não é gritar, expor ou fazer espetáculo. Fiscalização exige análise técnica, acompanhamento de contratos, obras públicas e uso correto dos recursos do município.-

O erro do vereador que só reclama

O vereador que se limita a criticar o prefeito, repetir problemas conhecidos e fazer discursos inflamados, mas não apresenta projetos de lei, indicações ou soluções práticas, não exerce oposição responsável. Reclamar não é governar. Criticar sem propor é omissão. Mandato exige ação institucional.

O erro do vereador que só apoia

Ser vereador da base do governo não significa apoiar tudo de forma automática. Apoio político não elimina o dever de fiscalizar. Pelo contrário, aumenta a responsabilidade com a legalidade e o interesse público. O vereador da base não pode ser passivo, nem conivente com erros administrativos. Fiscalizar faz parte do mandato, independentemente da posição política.

O que se espera de um vereador responsável

A Constituição espera que o vereador atue como representante legítimo do povo. Isso inclui fiscalizar com provas, legislar com seriedade, propor soluções, dialogar com maturidade e agir com independência. Vereador não é comentarista político. Vereador é agente institucional.

Por que isso é importante para a cidade

Quando o vereador não compreende sua função constitucional, a cidade sofre. Sem fiscalização, erros se repetem. Sem legislação eficiente, problemas antigos permanecem. Sem diálogo institucional, o município trava. O eleitor não vota para assistir brigas políticas. O eleitor vota esperando soluções reais para os problemas do dia a dia.

O vereador que só ataca empobrece o debate político. O vereador que só apoia enfraquece o Poder Legislativo. Ambos falham com a população. Mandato não é palco, não é rede social e não é espaço para vaidade pessoal. Mandato é responsabilidade pública. A cidade precisa de vereadores que compreendam que representar o povo exige equilíbrio, firmeza, independência e respeito à Constituição Federal. Reclamar por reclamar, eu também reclamo. Tirar fotos de buracos nas ruas, denunciar problemas e incitar o povo a fazer manifestações pacíficas, isso eu também faço. Reclamar das condições da cidade, do funcionamento do serviço público, das filas de espera, da saúde e da educação, também faço. Postar vídeos nas redes sociais, eu também posto. Criticar abertamente, fazer entrevistas, ir atrás de quem está errado ou certo, cobrar explicações e dar voz ao povo, tudo isso eu também faço. No entanto, existe uma diferença fundamental.

Eu não sou vereador. Não fui eleito pelo povo. Não tenho mandato. Não ocupo cargo público algum.

Aquele que foi eleito deve ter a capacidade mínima de discernir quando age como cidadão, indignado com os erros de uma gestão, e quando age como representante institucional do povo, fazendo parte do sistema político, seja da oposição ou não. Deve saber distinguir quem ele era antes, como parte do povo, e quem ele é agora, investido de mandato popular. O cargo exige mudança de postura, responsabilidade maior e compromisso com soluções concretas.

Quando um vereador se limita a fazer apenas o que qualquer cidadão pode fazer, ele desperdiça o mandato que recebeu e esvazia a função que a Constituição lhe confiou.

Autor: Noel Souza

RECONHECIMENTO

Para meu irmão, Taylon Albert.

Antes de mais nada, quero dar uma resposta aos críticos de plantão. Este reconhecimento público não é sobre ser “o maior” ou “melhor” que os outros, mas sim sobre reconhecer quem dá o seu melhor para a obra de Deus.

A muito tempo ouço críticos que nada entendem do Evangelho e observo pastores que, embora precisem de pregadores itinerantes, valorizam apenas o que vem de fora, mas não estendem a mão para ajudar as “pratas da casa”.

Parabenizo o trabalho do Portal Adoradores por valorizar e trazer reconhecimento a quem tanto faz pela obra, mas raramente recebe um elogio.

Nestes tempos de “sanguessugas espirituais”, Deus está levantando um povo que crê nos Seus profetas e prospera junto com eles.Meus parabéns, jovem Taylon!

Somente Deus sabe o quão difícil é para um jovem empenhar-se tanto no Reino. Ser o melhor não é sobre posição; é entregar a vida sem medida e sem reservas. Ser o melhor é dar o máximo dia após dia, sobrevivendo entre lutas, erros e acertos, para à noite estar nos púlpitos com a “cabeça do gigante” nas mãos.Você tem demonstrado ser essa pessoa.

Seja em igrejas grandes que oferecem recompensa ou nas pequenas, onde às vezes não ofertam nem o valor do transporte, você vai. Prega no frio ou no calor; não existe tempo ruim para você.

Ser pregador é isso: entregar o máximo sem esperar recompensa humana, equilibrando-se entre as críticas e os elogios. É saber ser como a “cidade edificada sobre o monte”, mas também saber se esconder no deserto no tempo certo.

Continue assim, vaso de Deus. Sua caminhada será longa e próspera nesta terra (se Jesus não voltar antes). Saiba que este troféu simbólico é apenas um pequeno reconhecimento humano, mas na Glória haverá um galardão sem medidas. Deus é contigo, e eu sigo aqui intercedendo por sua vida.

Vá em frente, rompa as barreiras desta geração, arraste multidões e voe alto. Seja feliz!Que Deus te abençoe e te guarde,De seu irmão, Noel Souza

PARA MINHA IRMÃ MARIA

Para minha irmã Maria José da Silva,
de seu irmão Noel

Ainda me lembro como se fosse agora. Meu pai me contava, depois de um dia de chuva forte, quando alguns tinham medo de ir trabalhar por causa dos trovões, sobre uma filha que ele teve — mulher de nascimento, mas, segundo ele, homem na coragem, na força e na forma de viver a vida.

Ele falava de Maria José da Silva, nascida na região de Itamira, na antiga Serra do Aporã. Ao nascer, era mais uma menina prometida ao cuidado do lar, criada para ser dona de casa, mãe de família, uma princesinha protegida. Mas o destino tinha outros planos.

Desde cedo, Maria descobriu o gosto pela agricultura e pela agropecuária. No trato com os animais, na montaria de cavalos bravos, no trabalho pesado da roça, no plantio e na colheita, ela se destacava. Carregava no sangue a genética do pai e as durezas da vida: a teimosia, a firmeza e a resistência.

Cresceu no meio dos irmãos, ajudando o pai, acordando ainda de madrugada para cuidar da casa, dos irmãos mais novos e da fazenda. Buscava água para o gado, limpava, colhia, tirava leite, enfrentava o sol forte, a chuva e o frio. Viajou quilômetros a cavalo para negociar e vender. Derrubava touros pelo chifre, fazia o que muitos homens não tinham coragem de fazer.

Com o tempo, tornou-se uma alegria tão grande para o pai que ele dizia sem hesitar:
“Essa menina deveria ter nascido homem, porque nem todos os homens fazem o que ela faz.”

A vida seguiu seu curso. Cada um tomou seu caminho. Ela cresceu, formou família, teve filhos e enfrentou lutas duras dentro do próprio lar. O casamento lhe trouxe dores, mas também a fortaleceu. Tornou-se mais firme, mais ríspida talvez, mas também maior.

Como mãe dedicada, lutou pelos filhos. Acordava cedo, limpava, lavava, passava, cozinhava, costurava de dia e de noite para que nada lhes faltasse. Trabalhou incansavelmente para que eles estudassem, crescessem e não dependessem de ninguém. Com muito sacrifício, criou praticamente todos sozinha.

E é a ti, minha irmã Maria, que dedico esta mensagem.

No meio de todas essas dores e batalhas, você me acolheu em sua casa. Alimentou-me, cuidou de mim, ensinou-me a vida, aconselhou-me e puxou meu pé para que eu estudasse. Nunca deixou faltar nada. Se hoje sou alguém com consciência moral, agradeço a Deus, ao nosso pai e a você, que sempre me deu conselhos sábios e direção física, material e espiritual.

Você me acolheu nos momentos de dificuldade, de perda e até quando você mesma enfrentava suas próprias pelejas — e isso nunca diminuiu seu cuidado comigo.

Louvo a Deus pela sua vida. Oro por ti. Agradeço por cada gesto de amor, cada conselho, cada momento em que deixou de cuidar de si para cuidar de mim. Meu pai tinha razão: nem todos os homens fazem o que você fez e faz.

Desejo que Deus te conceda um final de ano maravilhoso e um novo ano próspero, cheio de paz, alegria e amor.

E que nunca se apague a imagem daquela menina montada num cavalo borrachinha, rompendo as tempestades da vida e erguendo a bandeira da vitória.

Um beijo, minha velha.
Te amo.


MAIS QUE UM AMIGO


Ao meu irmão Leandro,

Lembro exatamente o momento da vida em que nos aproximamos. Você e eu, em plena adolescência — quer dizer, eu um pouco mais novo, e você com aquele cabelo de índio. Logo que te vi, você me convidou para brincar dentro da caixa da máquina de sua mãe. Achei que fosse um pique-esconde, mas na verdade era basquete.

Juro que nem sabia que brincadeira era aquela. Consistia em lançar a bola de tênis no caixote, no varal das cortinas, e quem mais acertasse vencia a disputa. Mas havia uma regra: antes, a bola precisava quicar na caixa da máquina, que ficava aos pés de sua mãe. Esse era o problema… ela, como sempre, estava costurando. Logo reclamou, e nós paramos. Ela disse:
Seu nego, não está vendo que estou trabalhando? E você também, magrelo!

Depois disso, você arrumou outra coisa para fazer. Saímos para caçar passarinho. Você matou três com uma pedra só — uma mania que você tinha de guardar sempre a mesma pedra.

Também me lembro das vezes em que você me ensinava a jogar bola, me incentivava a estudar, acreditava em mim. Recordo-me de você me emprestando suas roupas, cortando o meu cabelo no estilo Sulley Muntari, me fazendo sentir importante. Lembro das vezes em que saímos, passeamos, conhecemos outros lugares. Das vezes em que te acompanhei para você ir jogar bola, eu segurando sua chuteira com muito orgulho, gritando: Camisa 10!

Anos depois, quando meu pai morreu, nos sentamos no mesmo lugar, relembrando essa cena, com duas doses na mente, ouvindo Racionais e jogando videogame. Pensamos juntos:
Parece que foi ontem, mas já se passaram 18 anos.

Ali vi o seu sentimento de respeito pela nossa infância e senti que era verdadeiro. Hoje, já se vão mais 17 anos, e ainda me lembro daquela cena: a bola descascada pelo tempo, nós disputando — e, com certeza, eu perdendo.

Cada momento que nós passamos e vivemos é único. Pode até parecer que estamos distantes, mas não estamos, meu irmão. Eu oro pela sua vida sempre. Não esqueça disso: você é uma pessoa muito importante na minha vida.

De tudo aquilo, ficou uma certeza para a vida: mais do que lembranças, ganhei um amigo. Ganhei um irmão. E, neste fim de ano, te desejo um feliz Ano Novo e um tempo de refrigério, paz e renovo em sua vida.

Obrigado por sua amizade.

De seu irmão,
Noel Souza


Banquete, ceia e hipocrisia.

Autor: Noel Souza

A hipocrisia acaba junto com a ceia.

Não é desconhecido de ninguém que vivemos a época da falsidade institucionalizada. Se existe algo que foi avisado desde os tempos primordiais é que os hipócritas não herdarão o Reino.

A Escritura é clara, repetitiva e incômoda para quem prefere a aparência à verdade: o fingimento religioso é uma das formas mais refinadas da mentira. Ainda assim, chega o fim de ano e surgem as famosas ceias. Natal, réveillon, confraternizações familiares. Mesas fartas, casas cheias, discursos ensaiados. Famílias que não se veem o ano inteiro, que brigam, se odeiam, se processam, se difamam, se destroem, de repente resolvem “deixar tudo de lado” para sentar à mesa.

À mesa, fingem comunhão. Mas comunhão não é comer pão juntos; é pensar juntos. Não é dividir alimento; é dividir verdade. O que se vê, porém, é bajulação, mentira, promessas vazias, gastos irresponsáveis, endividamento para sustentar uma imagem que não existe. Jura-se amor eterno entre pais e filhos, irmãos e irmãs, enquanto no íntimo todos sabem que, no dia seguinte, a realidade bate à porta e as máscaras caem. E assim passam o resto do ano aguardando a próxima mesa farta, não para reconciliar a alma, mas para despejar novamente sentimentos fingidos que jamais habitaram o coração.

É um cardápio previsível: Perus de hipocrisia. Saladas de mediocridade. Temperos de mentira. Promessas infames. Palavras vazias. Desejos libidinosos. Não se engane: a mesa da terra não cura ninguém. Ela não transforma caráter. Ela não regenera a alma.

A mesa doméstica não tem poder espiritual algum quando o coração permanece corrompido. Ela apenas revela, ainda que de forma disfarçada, aquilo que já está podre por dentro.

Haverá, porém, um dia em que todos estaremos diante da mesa eterna. E ali, Judas jamais poderá se assentar. Não por falta de convite, mas por falta de arrependimento. Porque naquela mesa não há lugar para fingimento, nem para teatro moral, nem para religiosidade estética.

Cuidado com o fingimento.
Isso não é caráter cristão.

É infâmia.
É hipocrisia.
É patifaria travestida de tradição.

Cristianismo não é ceia anual, é vida transformada.
Não é mesa farta, é consciência limpa.
Não é abraço protocolar, é reconciliação verdadeira.

Enquanto houver mais preocupação com a aparência do prato do que com o estado da alma, continuaremos celebrando banquetes que Deus jamais abençoou.

Porque a hipocrisia, no fundo, sempre acaba quando a ceia termina — mas o juízo permanece.

Carta de um Religioso à Turma do “Não Tem Nada Não” — A Queda da Igreja

Carta de um Religioso à Turma do “Não Tem Nada Não” — A Queda da Igreja

Garagem de Profetas

A queda da Igreja não acontece de uma vez. Ela começa sempre do mesmo modo: pela concessão.

Primeiro, aceita-se o paganismo. Árvore de Natal, peru, ceia, enfeites — tudo tratado como “besteirol inofensivo”. Afinal, dizem, é só cultura. É só tradição. É só um Natal.

No final do ano, aceita-se também a champanhe, o vinho social, a cerveja sem álcool. Nada demais — repetem.

No ano seguinte, os discursos já mudam. O que antes era exceção vira regra. O que era pecado passa a ser relativizado. O que escandalizava agora é normal.

Logo aparecem os amantes de pastores. Os divórcios dos fiéis se multiplicam. A pornografia começa a ser tolerada entre os jovens. Surgem pombas-giras disfarçadas de crente, vestidas como se fossem a um bordel, mas ocupando os bancos da igreja.

Os púlpitos se enchem de homens lascivos, beberrões, adúlteros. E então vem o próximo passo: “Deixem os crentes andarem como quiserem.”

Afinal — dizem eles — alguns pastores não têm moral para repreender ninguém.

Pintaram as paredes. Destruíram os símbolos. Jogaram fora milhares de anos de santidade em troca de ver a igreja cheia.

Cheia de quê? De crentes que passam o dia na esbórnia, ouvindo música mundana, xingando, brigando uns com os outros, andando seminus e chamando isso de liberdade cristã.

Mas tudo isso é sempre justificado do mesmo modo: “É só um Natal.”

E quando alguém se levanta para dizer que isso não é Igreja, a resposta vem pronta: você é exagerado, você é arrogante, você é religioso demais.

Na boca desse povo, eu sou o problema. Na mente da turma do “não tem nada não”, qualquer limite é fanatismo.

Confissão

Se ser religioso é não aceitar heresias desde a sua origem, então eu sou religioso.

Se ser religioso é não permitir que o pecado entre na minha casa, mesmo travestido de cultura ou tradição, então eu sou religioso.

Se ser religioso é não aceitar o fermento dos fariseus, então eu sou religioso.

Se ser religioso é não aceitar a bebida, a mentira e o engano, então eu sou religioso.

Se ser religioso é não pactuar com heresias, com paganismo e com dominações falsas, então eu sou religioso.

A Igreja

A Igreja não é eclética. A Igreja é separatista.

Ela é sal da terra e luz do mundo. E se o sal não incomoda, não presta para salvar: será pisado pelos homens.

Igreja é ekklēsía: reunião dos que foram tirados para fora. Não dos que se unem ao mundo, mas dos que se separam dele.

E se o preço dessa separação é ser mal visto, que seja. O mundo nos odeia porque odiou a Cristo primeiro.

Não estamos aqui para sermos aceitos pelo mundo, nem para nos unirmos a ele, mas para sermos rejeitados por amor a Cristo.

Posição Final

Por isso, eu não desejo Feliz Natal.

O nosso Natal é a transformação de uma nova criatura encarnada em Cristo Jesus.

Eu não enfeito minha casa com árvore de pinheiro, porque foi no madeiro que Cristo entregou a Sua vida.

Eu não coloco pisca-piscas, porque não estou dando sinais ao mundo, mas aguardando Aquele que é a Estrela da Manhã.

Eu não tenho o espírito do Natal. Eu tenho o Espírito Santo.

Portanto, fique com o seu Natal. Eu fico com o meu Príncipe.

Não vos conformeis com este mundo.

Noel Souza
Garagem de Profetas

A Verdade sobre a Lascívia nas Igrejas de Hoje


A Verdade sobre a Lascívia nas Igrejas de Hoje

Se você não tem estômago para ouvir a verdade, ou se é do tipo que se ofende facilmente, então não leia este artigo.

Talvez você nem saiba o que significa lascívia. Isso acontece porque, nas igrejas modernas, muitos pastores estão mais preocupados em empurrar o envelope do amor do que em pregar a Palavra da Verdade. Ou talvez você seja aquele crente preguiçoso que não se interessa em entender o significado real das palavras bíblicas e só quer sugar da Bíblia aquilo que lhe convém: Salmo 91, Salmo 23, Salmo disso, Salmo daquilo — mas nunca o Salmo 1.

Seja por burrice, preguiça ou simples descaso, o fato é que a maioria não sabe o que é lascívia. Mas basta olhar para dentro dos cultos para vê-la em plena atividade: no palco, nas roupas, nos gestos e nas atitudes. Aquilo que antes era vergonha, agora é exibido e aplaudido. O pecado deixou de ser chamado de pecado e virou estilo de vida: a lascívia foi normalizada. O povo de Deus está sendo condicionado a achar que isso é natural.

Assim como João Batista denunciou o adultério de Herodes e a dança de Salomé, hoje quem levanta a voz contra a lascívia corre o risco de ser expulso da igreja, jogado no calabouço espiritual ou colocado em disciplina simplesmente por querer corrigir hereges.

O problema é que muitos líderes e membros já se acostumaram com o pecado. Estão tão comprometidos com ele que perderam a coragem de dizer que está errado. Mas aqui fica o alerta: pecado continua sendo pecado.

  • Roupa apertada para mostrar nudez é pecado — tanto para homens quanto para mulheres.
  • Mostrar o corpo, despertar desejo carnal nos outros e transformar o Templo do Espírito Santo em vitrine de vaidade é pecado.
  • Estimular olhares impuros e provocar pensamentos lascivos é pecado.

E isso você já sabe.

O problema ainda maior: o efeminismo no altar

Hoje já vemos homens que não parecem homens e mulheres que não parecem mulheres. Alguns pregadores:

  • Afinam a voz, rebolam, desmunhecam e gesticulam como mulheres.
  • Vestem-se com roupas sensuais, coladas e chamativas.
  • Transformam o púlpito em palco de vaidade.
  • São ungidos sem nunca terem casado, o que a Bíblia reprova.
  • Não pregam contra o pecado, vivem bajulando uns aos outros.
  • Amam fama, riqueza, outdoors e holofotes.
  • Rejeitam a palavra dura, mas idolatram curtidas e aplausos.
  • Fogem de igrejas sérias, pois sabem que um pastor verdadeiro jamais apoiaria esse comportamento.

Esses pregadores não arrastam multidões pelo Evangelho, mas pelo camaradismo barato de líderes desesperados para não perder membros e dízimos. Não estão preocupados em ser Igreja, mas apenas em manter quatro paredes cheias.

Um alerta final

A Bíblia é clara: esses falsos líderes, joios disfarçados de trigo, terão o fim anunciado. Assim como folhas secas levadas pelo vento (Jeremias 17:6), assim como árvores duas vezes mortas (Judas 1:12), eles serão arrancados e murcharão sozinhos como a tamargueira no deserto.

Espere e verá.

O Significado Bíblico de Lascívia

A palavra lascívia vem do latim lascivia, que significa libertinagem, devassidão, excesso de desejos carnais.

No Novo Testamento, o termo grego usado é aselgeia, traduzido como libertinagem, sensualidade, indecência ou comportamento sem freios. Esse termo aparece em passagens como:

  • Marcos 7:22 – “Os maus desígnios, as prostituições, os furtos, os homicídios, as avarezas, as maldades, o engano, a dissolução (aselgeia)…”
  • Gálatas 5:19 – “Porque as obras da carne são manifestas: prostituição, impureza, lascívia…”
  • 1 Pedro 4:3 – “Baste-nos o tempo passado da vida para termos feito a vontade dos gentios, andando em dissoluções (aselgeia), concupiscências, borracheiras, glutonarias, bebedeiras e abomináveis idolatrias.”

Portanto, lascívia é o pecado da sensualidade desenfreada, da imoralidade escancarada e da indecência assumida, que afronta a santidade de Deus e contamina o corpo — templo do Espírito Santo.


Escrito por Noel Souza


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